Cristiano Sardinha
Divulgação
COLUNA
Cristiano Sardinha
Cristiano Sardinha é escritor, professor e tabelião. Mestre em Cultura e Sociedade pela UFMA e Doutor em Direito Constitucional pela UNIFOR, é autor de romances e livros jurídicos.
Cristiano Sardinha

Geração Coca-Cola

Contrariando as previsões mais comuns da década de 80, os carros voadores ainda não cruzaram os céus de grandes metrópoles iluminadas por placas de luz neon

Cristiano Sardinha

Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola (Reprodução)

A década de 1980 foi marcada por cores vibrantes, roupas chamativas e penteados volumosos que coroavam a cabeça de jovens cheios de sonhos e expectativas para o novo século, que prometia uma vida cercada de tecnologias e possibilidades. A literatura, a música, o cinema e os jogos eletrônicos, influenciados pela cultura norte-americana, moldaram o comportamento e a forma de enxergar o mundo.

Há quem a considere a “década perdida” devido à hiperinflação e à estagnação econômica que afetaram o Brasil e outros países da América Latina. Aqueles que viveram essa época ainda carregam o trauma de encontrar um produto nas prateleiras do supermercado com um preço pela manhã e outro dez vezes maior à tarde. Tudo parecia incerto, e o poder econômico da população oscilava ao sabor do vento.

Os empréstimos internacionais que financiaram as contas brasileiras foram impactados pela elevação estratosférica das taxas de juros, tornando a dívida impagável. A louca inflação inspirou a criação de planos econômicos mirabolantes, que os jornalistas tentavam explicar nos telejornais, enquanto a população, para manter a sanidade mental, fingia entender. Essa crise econômica foi somente aplacada com a implementação do Plano Real em 1994, quando experimentamos a passageira sensação de ter a nossa moeda equiparada ao dólar.

Os anos 1980 também marcaram o fim do obscuro período da ditadura militar, abrindo espaço para a redemocratização do país. Alguns alegam que a Constituição Federal promulgada em 1988 já apanhou tanto que está cambaleando mais que bêbado de final da festa. Fato é que os direitos fundamentais previstos em nossa Lei Maior formam o escudo que nos protege dos arroubos de autoritarismo e populismo entranhados nas veias da nossa política.

A banda de rock nacional “Legião Urbana” lançou em 1985 seu disco de estreia, trazendo a música “Geração Coca-Cola”. Os versos dessa canção ainda fazem sucesso, possuindo um tom profético:

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola

Depois de vinte anos na escola
Não é difí­cil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser

Vamos fazer nosso dever de casa
E aí­ então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis”

Contrariando as previsões mais comuns da década de 80, os carros voadores ainda não cruzaram os céus de grandes metrópoles iluminadas por placas de luz neon. De toda maneira, essa permanece sendo uma época de inegável personalidade, que continua nos influenciando após quarenta anos. Para os mais nostálgicos, deixou uma saudade sem fim.


As opiniões, crenças e posicionamentos expostos em artigos e/ou textos de opinião não representam a posição do Imirante.com. A responsabilidade pelas publicações destes restringe-se aos respectivos autores.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.