Desaparecimentos

Maranhão tem segunda maior alta de desaparecidos; caso de Ágatha e Allan segue sem resposta

O Estado registrou 1.182 ocorrências, aumento de 29,8% em relação a 2024. Mais de seis meses depois, o paradeiro dos irmãos de Bacabal permanece desconhecido.

Imirante, com informações do g1 MA

Atualizada em 23/07/2026 às 09h39
Alta de desaparecimentos no MA expõe drama de irmãos sumidos em Bacabal.
Alta de desaparecimentos no MA expõe drama de irmãos sumidos em Bacabal. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

SÃO LUÍS - O Maranhão é o segundo Estado do país com o maior aumento no número de desaparecidos em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23).

O Estado registrou 1.182 ocorrências, aumento de 29,8% em relação a 2024. No ano anterior, haviam sido contabilizados 910 casos no estado, conforme a variação percentual informada no levantamento.

O Maranhão ficou atrás apenas de Minas Gerais, onde o número de desaparecimentos cresceu 30,5%. O Piauí aparece em seguida, com alta de 20,5%. 

Em todo o Brasil, 84.269 desaparecimentos foram registrados em 2025. O número representa um aumento de 3,6% em comparação com 2024. A taxa nacional chegou a 39,5 pessoas desaparecidas para cada grupo de 100 mil habitantes.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública reúne dados fornecidos pelas secretarias de Segurança Pública dos 26 estados e do Distrito Federal. A publicação apresenta informações sobre criminalidade e violência no país.

De acordo com o relatório, o aumento dos desaparecimentos não pode ser relacionado a uma única causa. Diferentes fatores podem contribuir para o crescimento das ocorrências.

Quando uma pessoa é considerada desaparecida?

A Lei nº 13.812/2019 considera desaparecida toda pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente das circunstâncias do caso.

A condição permanece até que a localização e a identificação da pessoa sejam confirmadas por meios físicos ou científicos.

A legislação instituiu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e criou o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas.

Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), não é necessário esperar um prazo mínimo para comunicar o desaparecimento. A orientação é registrar o boletim de ocorrência imediatamente após a pessoa deixar de ser localizada.

As instituições de segurança pública devem receber o registro e iniciar as investigações de forma prioritária. As buscas devem continuar até que a pessoa seja encontrada.

Irmãos Ágatha e Allan estão desaparecidos há seis meses em Bacabal

Entre os casos registrados no Maranhão está o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4. As crianças desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís.

Mais de seis meses depois, o paradeiro dos irmãos permanece desconhecido. Em entrevista, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, falou sobre a angústia causada pela falta de informações.

"Aqui no interior não tem mais buscas. As buscas na mata já pararam faz tempo. Eles dizem que estão investigando, mas até agora não tenho nenhuma notícia dos meus filhos", afirmou. Familiares e moradores da comunidade também relatam frustração diante da ausência de respostas sobre o caso.

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), citado pelo Anuário, uma das principais consequências de um desaparecimento é a incerteza permanente sobre o paradeiro e as condições da pessoa.

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Após o desaparecimento de Ágatha e Allan, uma força-tarefa foi mobilizada em Bacabal. Apesar disso, as crianças não foram encontradas.

Em nota, a Polícia Civil do Maranhão informou que o inquérito ainda não foi concluído. A corporação afirmou que ainda não é possível indicar as circunstâncias do caso, eventuais responsabilidades ou conclusões definitivas. Todas as informações recebidas continuam sendo verificadas.

Mortes violentas têm redução no Maranhão

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública também aponta uma redução no número de mortes violentas intencionais no Maranhão.

O Estado passou de 2.126 mortes em 2024 para 2.082 em 2025. A diferença representa uma queda de aproximadamente 2,1% no número absoluto de casos.

O percentual de 2,2% citado pelo levantamento pode estar relacionado à taxa proporcional por habitantes, e não apenas à comparação entre os números absolutos.

São classificadas como mortes violentas intencionais os homicídios dolosos, quando há intenção de matar; feminicídios; latrocínios, que são roubos seguidos de morte; lesões corporais seguidas de morte; e mortes causadas por policiais.

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