STF quer esclarecer "lastro contratual" de repasses de Fred Campos em empresa
André Mendonça autorizou buscas relacionadas a Fred Campos após a PF identificar transferência de R$ 5 milhões da Qualitech para empresa ligada ao circuito investigado.
SÃO LUÍS – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra o prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos. A medida integra uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa em uma estrutura que teria o senador Weverton Rocha como um dos beneficiários.
Na decisão, Fred Campos é incluído na investigação por sua vinculação à Qualitech Engenharia Ltda. Segundo a Polícia Federal, a empresa aparece como possível fonte intermediária de recursos que teriam alimentado a camada empresarial ligada ao núcleo investigado.
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A autorização da busca não representa condenação nem reconhecimento de responsabilidade criminal. O próprio ministro ressalta que as referências aos possíveis crimes reproduzem hipóteses apresentadas pela autoridade policial e são analisadas, nesta fase, somente para verificar a necessidade das medidas investigativas.
Rota de R$ 5 milhões envolve empresa ligada a Fred Campos
O principal episódio que levou à inclusão de Fred Campos na medida ocorreu em julho de 2024. De acordo com a representação policial, a Qualitech Engenharia teria transferido R$ 5 milhões para a Petro São Francisco Combustíveis.
No mesmo dia, o posto teria repassado quantia idêntica para a DJ Agropecuária Comércio e Prestação de Serviços Ltda., empresa apontada pela investigação como destinatária recorrente de transferências expressivas.
A Polícia Federal também afirma que outros valores provenientes da Qualitech teriam sido seguidos de repasses para:
- a Rocha Holding Patrimonial Ltda., empresa relacionada ao núcleo familiar de Weverton Rocha;
- uma empresa vinculada a Erlânio Furtado Luna Xavier, citado como sócio ou parceiro relevante nos postos de combustíveis investigados.
Não há, no trecho da decisão referente a Fred Campos, indicação de que a Qualitech tenha feito uma transferência diretamente para Weverton Rocha. A apuração busca esclarecer a origem dos recursos, a existência de contratos, a finalidade econômica das operações e a identidade dos beneficiários finais.
STF quer saber se operações da Qualitech eram reais
Na decisão, André Mendonça afirma que a representação policial não atribui a Fred Campos atuação direta na estrutura vinculada ao advogado Willer Tomaz de Souza, apontado pela PF como personagem de sustentação de um suposto núcleo financeiro, patrimonial e logístico.
O ministro considerou, no entanto, que existe um vínculo objetivo entre Fred Campos e os fatos investigados, em razão da posição dele na empresa que teria originado recursos de grande valor.
A busca deverá alcançar documentos que permitam verificar se as transações correspondiam a operações comerciais reais ou se a Qualitech foi utilizada como canal de entrada de recursos no circuito financeiro investigado.
Entre os materiais que poderão ser apreendidos estão:
- contratos;
- notas fiscais;
- registros contábeis e bancários;
- comprovantes de transferências;
- comunicações relacionadas às operações;
- documentos que demonstrem a efetiva prestação de serviços.
Investigação aponta estrutura financeira não linear
A Polícia Federal descreve uma dinâmica na qual os recursos não seguiriam um caminho direto entre a possível infração antecedente, o beneficiário e o patrimônio adquirido.
Segundo a investigação, os valores teriam sido fragmentados e movimentados por empresas distintas, contas pessoais e familiares, postos de combustíveis, contratos de empréstimo, depósitos em espécie e bens registrados em nome de terceiros.
Willer Tomaz é apontado pela PF como personagem de sustentação da estrutura. Empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, operadores financeiros e interlocutores políticos ligados ao advogado teriam sido utilizados para atender demandas atribuídas a Weverton Rocha.
A investigação apura se os envolvidos atuaram, ao menos desde 2023, para ocultar ou dissimular a origem, a movimentação, a disponibilidade e a propriedade de bens e valores possivelmente provenientes de infrações penais.
Apuração teve origem em dados atribuídos a Weverton Rocha
O procedimento foi instaurado a partir de elementos extraídos de um aparelho celular atribuído ao senador Weverton Rocha, posteriormente confrontados com informações produzidas no âmbito da Operação Sem Desconto.
A hipótese inicialmente considerada pela Polícia Federal relaciona o possível crime antecedente da lavagem a uma suspeita de corrupção passiva no ambiente institucional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A suspeita está ligada à atuação política atribuída ao senador no contexto dos descontos associativos incidentes sobre benefícios previdenciários.
Além de Fred Campos, a decisão autoriza buscas contra familiares do senador, empresários, operadores financeiros e sociedades citadas nos fluxos investigados.
O Ministério Público Federal havia se manifestado pelo indeferimento das buscas, argumentando que medidas menos ostensivas, como quebras de sigilo, poderiam ser adotadas para aprofundar a apuração. André Mendonça, porém, entendeu que os elementos apresentados pela Polícia Federal superaram o campo das conjecturas e autorizou as diligências.
A decisão foi assinada em Brasília na segunda-feira, 3 de agosto de 2026, e determina a manutenção do sigilo da investigação.
Fred Campos se pronunciou
Após a decisão do STF, Fred Campos divulgou um vídeo nas redes sociais em que comentou a transferência mencionada na investigação. O prefeito afirmou que o valor corresponde ao pagamento de um contrato de arrendamento de postos de combustíveis firmado entre uma empresa da família e a Petro São Francisco Combustíveis.
"A gente fez um contrato de arrendamento de alguns postos de combustível e fez o pagamento desse arrendamento. É única e exclusivamente isso", declarou.
Fred Campos também disse que o contrato poderia ter sido apresentado para esclarecer a operação e reafirmou que atua de forma "honrada, séria e honesta".
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