Lourival Serejo
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Lourival Serejo
Lourival Serejo é desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão e membro da Academia Maranhense de Letras.
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Até onde chega a destruição das guerras

Agora, neste ano de 2026, o Instituto Ucraniano dos Livros denunciou a destruição de mais de dez milhões de livros.

Lourival Serejo

- Atualizada em 21/08/2026 às 10h09

As guerras não atingem só as pessoas, só as fábricas, os edifícios, as pontes, as usinas e diversos outros complexos industriais que viabilizam a vida nas cidades, estas também vítimas dos ataques inimigos.

As guerras atingem também os livros, destruindo-os, queimando-os, como fez Hitler com inúmeras bibliotecas de judeus. É impressionante como a força dos livros incomoda as ditaduras. Será porque eles formam consciências que não se submetem à servidão?

Agora, neste ano de 2026, o Instituto Ucraniano dos Livros denunciou a destruição de mais de dez milhões de livros, de quase 300 bibliotecas e a danificação de depósitos de livros, reduzindo tudo a cinzas.

As editoras atingidas estão pedindo socorro internacional para reporem seus estoques. Até julho passado, 906 bibliotecas foram afetadas pelos bombardeios soviéticos. 

Há algum tempo, fiz referência numa crônica, sobre a destruição de bibliotecas e museus de Bagdá, feita pelos bombardeios americanos, na ocasião da invasão do Iraque. Foram crimes praticados, não só contra os iranianos, mas também contra toda a humanidade. 

A bibliografia sobre esse tema, em geral, está repleta de obras que relatam atos de vandalismo contra os livros. Lembro-me, no momento, de três: Livros em chamas: a história da destruição sem fim das bibliotecas, de Lucien X. e Polastron; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury; e O infinito em um junco, de Irene Vallejo.

Nessas obras há relatos terríveis de destruição de livros ao longo da história da humanidade. Parece que essa maldição começou em Alexandria, quando a maior biblioteca do mundo, naquela época, ardeu em chamas.

O curioso é que nos iludimos pensando que esses abomináveis relatos do passado não se repetiriam nos dias de hoje. E vem uma guerra, lá da Ucrânia, para demonstrar que a insanidade continua presente entre nós. A sociedade evolui, mas os homens continuam os mesmos.

Alguns anos atrás, a biblioteca da Sarajevo foi também incendiada. Perderam-se dezesseis mil incunábulos e manuscritos que jamais foram reproduzidos. Mais uma vez, a perda não é só daquele país, mas de toda a civilização universal.

Com muita antecedência, Heine, na Alemanha, profetizou os crematórios de Hitler, quando disse: “Onde se queimam livros, acaba-se queimando as pessoas”.

No momento, ao povo da Ucrânia só podemos oferecer nossa solidariedade e inconformação pelo atentado à memória daquele país e pelo livrocídio de que estão sendo vítimas. 


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