De Olho na Economia
COLUNA
De Olho na Economia
É economista com experiência nacional e internacional em análises macroeconômicas e microeconômicas. Possui habilidade em análises setoriais, gestão do capital humano, orçamentos e finanças.
Wagner Matos

A Posição de um Economista no Cenário Eleitoral

A posição de um economista não é, e não deve ser pautada por cores partidárias, mas por um compromisso inegociável com a eficiência.

Wagner Matos

- Atualizada em 25/09/2026 às 10h54
É exatamente para superar as incertezas e a complexidade regulatória que a inteligência financeira se torna indispensável muito antes da abertura das urnas.
É exatamente para superar as incertezas e a complexidade regulatória que a inteligência financeira se torna indispensável muito antes da abertura das urnas. (Foto: divulgação)

Frequentemente, à medida que o clima eleitoral se intensifica, sou indagado sobre minha posição política. Respondo de forma objetiva, que avalio as alternativas com base em critérios técnicos e econômicos, escolhendo aquelas com real potencial de promover o desenvolvimento socioeconômico. Por isso, meu foco está em ajudar a construir políticas públicas viáveis e apoiar gestores comprometidos com o crescimento real, independentemente de suas siglas partidárias.

Por atuar diretamente no mercado e nas finanças corporativas, compreendo a fundo o funcionamento dos setores produtivos. Ao longo da minha trajetória, alcancei marcas expressivas auxiliando empresas e instituições na complexa transição de uma gestão amadora para uma administração plenamente profissional. Vivemos na era da informação, onde os dados estão acessíveis a todos, mas poucos gestores possuem a capacidade de interpretá-los, mitigar riscos, tomar decisões no timing (tempo) correto e, de fato, atingir metas.

É nesse ponto que aprendi a separar a política da economia, sem jamais ignorar a profunda interdependência entre ambas. No dia a dia, traduzo essa relação de forma clara para parceiros e clientes, promovendo uma visão de negócios equilibrada. Ainda assim, a provocação central permanece: como avaliar, na prática, se uma proposta política é genuinamente voltada ao desenvolvimento?

A resposta está no método. Primeiro, examino o perfil dos candidatos ao Executivo, seu histórico, sua capacidade de leitura de cenários e, acima de tudo, seu track record (histórico de entrega de resultados). Em seguida, avalio a provável composição da equipe de governo. Prevalecerá a capacitação técnica ou o loteamento de cargos? Esse é exatamente o mesmo rigor analítico que é adotado na avaliação de risco corporativo antes de aprovar grandes investimentos regionais. Projetar cenários eleitorais exige a mesma frieza matemática empregada na análise de viabilidade de um negócio.

Ao analisar o cenário eleitoral de 2026 sob essa perspectiva, encontramos uma realidade complexa e contraditória. Por um lado, o discurso oficial se apoia em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram a taxa de desocupação (desemprego) em níveis historicamente baixos, orbitando a casa dos 5% a 6%. No entanto, quem vive a economia real enfrenta outra face da moeda. Convivemos com uma taxa básica de juros (Selic) ainda em patamares restritivos estipulados pelo Banco Central, encarecendo o crédito e travando o consumo. Somam-se a isso a complexidade da transição da Reforma Tributária, a persistência inflacionária em itens básicos e o alto nível de endividamento das famílias (que, segundo a CNC, afeta quase 82% dos lares brasileiros). 

O ambiente institucional também passou por transformações severas. Além dos persistentes casos de corrupção que rondam tanto situação quanto oposição. Agora monitorados e cobrados em tempo real pela sociedade via redes sociais, o cerco técnico se fechou. Sistemas bancários, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e tribunais de contas rastreiam o fluxo de capitais com um rigor sem precedentes, enquanto o Judiciário atua de forma mais célere. O espaço para o improviso e para a falta de compliance na gestão pública e nas campanhas acabou.

É exatamente para superar as incertezas e a complexidade regulatória que a inteligência financeira se torna indispensável muito antes da abertura das urnas. O trabalho de auditoria e análise de viabilidade que nossa equipe realiza em estados com capacidade expansão econômica, como Pará, Piauí, Tocantins e Maranhão, assegura o sigilo e a confiabilidade necessárias para revelar a situação real das finanças públicas dessas regiões, orientando desde alocações de recursos até a sustentabilidade de promessas de campanha.

Resumindo, a posição de um economista não é, e não deve ser pautada por cores partidárias, mas por um compromisso inegociável com a eficiência, a ética e os fatos práticos. Ao recorrerem a análises estruturadas para basear investimentos estratégicos ou avaliar o risco legal e financeiro de doações eleitorais, empresas e líderes buscam substituir os fuxicos e as especulações de bastidores por decisões ancoradas em dados concretos. Governos, ideologias e mandatos são passageiros, a exigência implacável do mercado por responsabilidade fiscal, desenvolvimento econômico e gestão de excelência é permanente.


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