De Olho na Economia
COLUNA
De Olho na Economia
É economista com experiência nacional e internacional em análises macroeconômicas e microeconômicas. Possui habilidade em análises setoriais, gestão do capital humano, orçamentos e finanças.
Coluna De Olho na Economia

Acordo EUA-China e o Risco para o Agro Brasileiro

O acordo surgiu em resposta a uma crise de alcance sistêmico.

Wagner Matos

- Atualizada em 05/10/2026 às 14h25
Na semana passada, Xi Jinping fez sua primeira visita oficial aos Estados Unidos em 11 anos.
Na semana passada, Xi Jinping fez sua primeira visita oficial aos Estados Unidos em 11 anos. (Foto: Divulgação)

Oi, pessoal! Na semana passada, Xi Jinping fez sua primeira visita oficial aos Estados Unidos em 11 anos. Marcado por cerimônias e simbolismo, o evento incluiu desfile militar e jantar de Estado com representantes de empresas como Tesla, SpaceX, xAI, Apple, OpenAI, Meta, Boeing e Dell Technologies.

Os mercados acompanhavam de perto o futuro do “Acordo de Busan”. Segundo Reuters e The Economic Times, a recepção promovida pelo presidente americano abriu caminho para o principal anúncio diplomático da semana. Firmado por Trump e Xi em outubro de 2025, na cidade sul-coreana de Busan, o pacto tinha como objetivo frear a escalada protecionista.

O acordo surgiu em resposta a uma crise de alcance sistêmico. No auge do conflito, o governo americano ameaçou impor tarifas punitivas de até 500% sobre produtos chineses. Em reação, a China suspendeu totalmente as exportações de terras raras. De acordo com o Serviço Geológico dos EUA (USGS), o país asiático responde por cerca de 70% da extração e quase 85% do processamento mundial desses minerais. Adotada em abril de 2025, a medida chegou a interromper linhas de montagem da indústria automotiva americana e provocou forte turbulência nas bolsas globais, evidenciando o risco de uma desconexão econômica desordenada.

Para viabilizar a trégua, ambos os lados fizeram concessões. Os EUA reduziram de 20% para 10% tarifas ligadas à crise do fentanil. A China reforçou o controle de precursores do opioide, retomou o fornecimento de gálio e germânio, essenciais a semicondutores, veículos elétricos e painéis solares. E se comprometeu a comprar 25 milhões de toneladas anuais de soja americana entre 2026 e 2028. O compromisso com a soja americana preocupa o agronegócio brasileiro. Antes, as tarifas chinesas sobre o produto dos EUA transferiam demanda ao Brasil e elevavam os prêmios nos portos.

A compra anual de 25 milhões de toneladas garante aos EUA 25% das importações chinesas de soja, estimadas pelo USDA em 100 milhões de toneladas. Isso aumenta a concorrência e pode reduzir preços e margens do produto brasileiro, cuja exportação depende mais de 70% da China, segundo a SECEX/MDIC. Para limitar perdas, o setor deverá ganhar eficiência e ampliar mercados, sobretudo na Índia e no Sudeste Asiático.

O secretário do Tesouro dos EUA e o vice-premiê chinês prorrogaram a trégua de 10 de novembro de 2026 para 10 de janeiro de 2027, buscando viabilizar um tratado amplo. Ainda persistem cinco impasses: a superprodução chinesa; restrições dos EUA a chips e inteligência artificial; domínio das terras raras; acesso recíproco aos mercados e revisão das tarifas. Especialistas alertam que a rivalidade permanece, o acordo apenas adiou debates sobre subsídios chineses, propriedade intelectual, Taiwan e a aliança entre Rússia e China.

Afirmo que na economia, a incerteza encarece o investimento. O Acordo de Busan evitou um choque inflacionário no curto prazo, mas é apenas uma trégua na disputa comercial. Até janeiro de 2027, EUA e China precisarão convertê-la em regras claras. O próximo teste será a reunião da APEC, em novembro de 2026, em Shenzhen. Para investidores e produtores, sobretudo no Brasil, a mensagem é direta. A volatilidade é a nova regra, e diversificar riscos é essencial.


As opiniões, crenças e posicionamentos expostos em artigos e/ou textos de opinião não representam a posição do Imirante.com. A responsabilidade pelas publicações destes restringe-se aos respectivos autores.

Receba também as principais notícias do Maranhão, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail. Cadastre-se gratuitamente no Imirante.com e ative a opção "Receber conteúdos por e-mail" para acompanhar a Newsletter do Imirante.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.