eleições 2026

Após ser eleito, Braide anuncia reforma administrativa e diz que definirá apoio à Presidência

Eduardo Braide vence com 2,1 milhões de votos e anuncia reforma administrativa, foco no IDH e redução do ICMS no Maranhão a partir de 2027.

Ipolítica, com informações do G1

Atualizada em 05/10/2026 às 15h27
Após ser eleito governador, Eduardo Braide anuncia reforma administrativa, redução do ICMS e diz que definirá apoio à Presidência nos próximos dias.
Após ser eleito governador, Eduardo Braide anuncia reforma administrativa, redução do ICMS e diz que definirá apoio à Presidência nos próximos dias. (Reprodução)

SÃO LUÍS – Um dia após ser eleito governador do Maranhão, Eduardo Braide (PSD) falou sobre as mudanças que pretende implementar na administração estadual a partir de 2027. Em entrevista ao JMTV 1ª edição, nesta segunda-feira (5), o governador eleito anunciou uma reforma administrativa para reduzir o número de secretarias, voltou a defender a redução do ICMS e afirmou que pretende iniciar imediatamente o processo de transição de governo.

Braide também disse que pretende formar um secretariado técnico, com participação de mulheres em áreas consideradas importantes, e citou o IDH e a educação entre as prioridades da futura gestão.

O governador eleito afirmou ainda que definirá nos próximos dias qual candidato apoiará no segundo turno da eleição presidencial, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Durante o primeiro turno, Braide não declarou apoio público a nenhum dos candidatos à Presidência.

Eduardo Braide foi eleito governador do Maranhão no primeiro turno, neste domingo (4), com 2.104.122 votos, o equivalente a 54,02% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vice-governadora eleita é Elaine Carneiro (PSD).

Apoio na disputa presidencial

Questionado sobre o segundo turno da eleição presidencial, Braide afirmou que deverá anunciar em breve qual dos dois candidatos terá seu apoio. Segundo ele, a decisão levará em consideração a vontade dos eleitores que votaram nele.

O governador eleito também afirmou que pretende manter uma relação institucional com o governo federal independentemente de quem vencer a disputa nacional.

“Eu terei a obrigação de me relacionar bem com qualquer um dos dois que seja eleito. Eu dei a prova disso quando fui prefeito. Dois anos com o Bolsonaro, três anos e três meses com o Lula, e São Luís não teve nenhum problema por conta da falta de relação política. Eu tive votos de todas as correntes. Tive voto da direita, tive voto da esquerda, tive voto do centro então essa é uma decisão que eu preciso tomar com muito cuidado porque eu preciso respeitar a vontade do eleitor então não tenha dúvida nenhuma que no momento certo a gente vai se posicionar sob a corrida para presidente”, disse.

Braide também afirmou que será governador de todos os maranhenses, independentemente de terem votado ou não nele.

“Saibam que a esperança que vocês depositaram em mim, no meu trabalho, será correspondida com muito trabalho a partir do ano que vem em todo o nosso estado do Maranhão, em todos os municípios do Maranhão. Eu serei o governador de todos os maranhenses, daqueles que votaram e daqueles que não votaram em mim também. A partir do ano que vem não haverá mais isso. Nós iremos cuidar de mais de 7 milhões de vidas do Maranhão. E é para isso que eu me preparei e é isso que nós vamos fazer”, afirmou.

Transição para o novo governo

Braide afirmou que pretende iniciar imediatamente o processo de transição entre a atual gestão e o governo que assumirá em janeiro de 2027.

Segundo ele, uma reunião para tratar da formação da equipe de transição estava prevista para a tarde desta segunda-feira (5). A previsão é que os nomes sejam divulgados ainda nesta semana.

“Já teremos uma reunião hoje à tarde, onde a gente já vai começar a conversar com as pessoas, fazer alguns convites, para que a gente possa montar essa primeira etapa da transição, que é montar o grupo que vai participar da transição. A lei estabelece que o governador eleito indica um grupo de pessoas e o governador atual que está no governo vai indicar também um grupo e esse grupo vai conversar para passar as informações sobre o governo do estado, passar as informações sobre os programas que estão sendo executados”, disse.

A posse do governador eleito está prevista para 6 de janeiro de 2027.

Reforma administrativa e redução de secretarias

Entre as primeiras medidas anunciadas, Braide afirmou que pretende fazer uma reforma administrativa no governo estadual. Segundo ele, algumas estruturas atualmente existentes exercem funções semelhantes e podem ser unificadas.

A proposta, de acordo com o governador eleito, é enxugar a estrutura administrativa e direcionar recursos para obras.

“Não tenha dúvida nenhuma que nós vamos fazer uma reforma administrativa. Só para você ter uma ideia, em Brasília nós temos três secretarias praticamente que fazem a mesma função. Não tem necessidade disso. Nós vamos deixar uma secretaria. Nós vamos enxugar a máquina, podendo fazer com que esses recursos sejam utilizados em obras”, afirmou.

Secretariado terá participação de mulheres

Braide não revelou os nomes que pretende indicar para o secretariado, mas afirmou que haverá uma participação significativa de mulheres na equipe do governo.

Segundo ele, os convites devem começar a ser feitos após a definição da equipe de transição.

“O que eu posso adiantar para vocês é que nós teremos muitas mulheres no governo. Da mesma forma como eu fiz em São Luís, que as pastas mais importantes da prefeitura eram administradas por mulheres, no governo do estado também nós teremos a valorização da mulher. E tenho certeza que já vamos começar a divulgar o secretariado”, disse.

Redução do ICMS

Uma das principais promessas apresentadas por Braide durante a campanha foi a redução do ICMS. Na entrevista, ele voltou a defender a medida e relacionou a redução do imposto à possibilidade de queda nos preços e aumento do consumo.

O governador eleito afirmou que a alíquota atualmente cobrada no Maranhão é de 23% e criticou o que considera uma carga elevada.

“É inadmissível que o Maranhão seja conhecido como o estado que cobra o maior imposto do Brasil. Hoje nós temos a cobrança de 23% de ICMS. Como é que você consegue explicar para o maranhense que ele paga o maior imposto do Brasil e tem as piores estradas?”, afirmou.

Braide disse que a redução do ICMS poderia diminuir os preços dos produtos e aumentar as vendas. Segundo ele, o crescimento do consumo poderia compensar parte da arrecadação que deixaria de ser obtida com a redução do imposto.

Ele também afirmou que a medida ajudaria a atrair empresas e indústrias para o Maranhão e gerar empregos.

“Mas a questão da redução do ICMS é algo simples de explicar. A partir do momento que o ICMS baixar, os produtos vão baixar de preço. Foi o que eu mais ouvi dos comerciantes que estão todos os dias lutando para vender os seus produtos do Maranhão. Na hora que o produto baixar de preço, a venda vai aumentar. E na hora que a venda aumentar, a gente vai compensar aquele valor que deixou de ser arrecadado quando a gente baixou. Ao lado disso, nós vamos gerar mais empregos”, afirmou.

Melhora do IDH e educação serão prioridades

Questionado sobre qual indicador pretende melhorar para avaliar se o primeiro ano de governo está no caminho certo, Braide afirmou que não é possível escolher apenas um.

Entre os indicadores citados pelo governador eleito estão o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a educação.

“Eu não tenho como falar só de um. Desculpa, mas o Maranhão tem muitos indicadores. Mas, sem sombra de dúvida, um dos principais é o IDH, que é o índice que mede o desenvolvimento humano, que mede a qualidade de vida que o Maranhão está tendo. Mas eu não posso deixar de falar da educação. O Maranhão hoje tem o pior IDEB do Nordeste”, disse.

Braide afirmou ainda que pretende melhorar a qualidade de vida da população e fazer com que as riquezas produzidas no Maranhão tenham impacto direto na vida dos maranhenses.

“Eu quero melhorar a vida do maranhense, principalmente a vida daquele que mais precisa, fazer com que as riquezas do Maranhão, que todo mundo sabe que é rico, pelos seus rios, pelo porto, pela ferrovia, por tudo aquilo que é produzido aqui, chegue nas mãos dos maranhenses. E é isso que a gente vai fazer”, afirmou.

Relação com prefeitos, Assembleia e governo federal

Questionado sobre a necessidade de construir uma base política para governar, Braide afirmou que pretende adotar uma postura diferente da que, segundo ele, encontrou enquanto era prefeito de São Luís.

Ele disse que não pretende condicionar obras e serviços públicos ao apoio político de prefeitos e afirmou que está aberto para receber os gestores dos municípios maranhenses.

Braide também afirmou que já recebeu manifestações de deputados que não fizeram parte da coligação responsável por sua eleição.

“Eu fui prefeito, então sei a importância que um prefeito tem em realizar uma parceria com o governo do Estado. Infelizmente, como prefeito de São Luís, praticamente nós não tivemos parceria com o governador, talvez por uma decisão política. Mas eu quero dizer que como governador do estado eu farei diferente. O povo do Maranhão não vai ver mais máquinas sendo retiradas do interior, porque a pessoa que decidiu apoiar tomou um caminho diferente. A obra tem que acontecer para o povo”, afirmou.

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