BRASIL - A crítica de Michel Temer à escola de samba Acadêmicos de Niterói marcou a repercussão política do desfile do Grupo Especial no Rio. Em nota divulgada nesta segunda-feira (16), o ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que a agremiação trocou a crítica social por “bajulação na Sapucaí” ao homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A escola foi a primeira a desfilar na noite de domingo (15) na Marquês de Sapucaí, levando à avenida um enredo que exaltava Lula.
Representação de Temer no desfile
A crítica de Michel Temer à escola de samba também se estendeu à forma como ele foi retratado. Um dos carros alegóricos trouxe um integrante caracterizado como o ex-presidente, que “arrancava” a faixa presidencial de Dilma Rousseff e a colocava em si mesmo — referência ao impeachment de 2016, quando Temer, então vice-presidente, assumiu o Planalto.
Na nota, Temer afirmou:
“Como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí.”
Ilusionismo na Esplanada
Apesar de relativizar o caráter artístico do desfile, Temer criticou o que chamou de “ilusionismo na Esplanada”, em referência ao atual governo federal.
Segundo ele, há promoção de “irresponsabilidade fiscal, juros altos e endividamento público crescente”, além da negação de conquistas como:
- Reforma trabalhista
- Reforma do ensino médio
- Reforma da previdência
As mudanças foram implementadas durante seu mandato, entre 31 de agosto de 2016 e 31 de dezembro de 2018.
A nota foi intitulada “Saudades da Tuiuti”, menção à Paraíso do Tuiuti, que em 2018 levou à Sapucaí um enredo crítico à reforma trabalhista e retratou Temer como um vampiro.
Reação da oposição
A repercussão do desfile ultrapassou a crítica de Michel Temer à escola de samba. O partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula.
A alegação é que teria havido propaganda eleitoral antecipada com uso de recursos públicos durante o Carnaval.
Na última quinta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, dois pedidos para impedir o desfile da Acadêmicos de Niterói. Os ministros entenderam que barrar a apresentação antes de sua realização configuraria censura prévia, mas ressaltaram que eventuais irregularidades podem ser analisadas posteriormente.
Especialistas divergem
Juristas ouvidos divergem sobre a existência de ilícito eleitoral.
O professor Fernando Neisser, da FGV-SP, avalia que não houve ilegalidade. Já o advogado eleitoral Guilherme Barcelos entende que houve propaganda eleitoral antecipada no samba-enredo, passível de multa.
A crítica de Michel Temer à escola de samba adiciona novo capítulo à tensão entre Carnaval e política, tema recorrente nos desfiles da Marquês de Sapucaí.
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