Consórcio Via SL reage à recomendação de rompimento e atribui crise à falta de repasses da Prefeitura
Consórcio Via SL afirma que crise no transporte de São Luís foi agravada por corte de repasses da prefeitura
O Consórcio Via SL reagiu à recomendação do Ministério Público do Maranhão (MPMA) para que a Prefeitura de São Luís rompa o contrato de concessão do transporte público. Em entrevista, o representante da empresa, Diego Rocha, afirmou que a crise enfrentada pelo sistema não é isolada e foi agravada, principalmente, pela suspensão de repasses financeiros do poder público.
Segundo Rocha, a recomendação foi recebida com “estranheza”, já que, de acordo com ele, o consórcio tenta solucionar os problemas operacionais há meses junto aos órgãos responsáveis.
“O cenário atual não é um fato isolado. É resultado de uma série de fatores que vêm sendo discutidos há mais de seis meses com a Prefeitura e a SMTT”, afirmou.
Consórcio Via SL aponta corte de subsídio como fator central
De acordo com o representante, o principal agravante da crise do Consórcio Via SL ocorreu em novembro de 2025, quando a prefeitura teria zerado o subsídio destinado à empresa — recurso considerado essencial para o pagamento de salários e manutenção da operação.
Rocha afirma que a medida impactou diretamente o funcionamento do sistema:
- O subsídio seria usado para custear salários;
- O consórcio afirma ter sido o único com repasse zerado;
- A decisão teria comprometido a operação e o atendimento aos usuários.
“Sem o apoio do poder concedente, fica difícil manter salário, operação e atendimento à população”, disse.
Trabalhadores seguem em atividade no Consórcio Via SL
Apesar das dificuldades, o Consórcio Via SL afirma que os trabalhadores seguem em atividade. Segundo Rocha, a prioridade atual da gestão é regularizar a situação dos funcionários e evitar paralisações.
Ele destacou que há um esforço interno para manter o funcionamento do serviço, mesmo diante das limitações financeiras.
“Hoje, nossa tarefa é garantir os direitos dos trabalhadores e manter a operação ativa, com o apoio da equipe que ainda acredita no projeto”, declarou.
Consórcio Via SL comenta denúncias sobre transferências
Sobre denúncias divulgadas nacionalmente de que a empresa teria feito transferências financeiras para evitar bloqueios judiciais, o Consórcio Via SL confirmou os repasses, mas negou irregularidades.
Segundo Rocha, os valores foram transferidos para a empresa Gold Coltan, que, de acordo com ele, integra o mesmo grupo econômico.
“Não se trata de empresa externa. É uma empresa do grupo, inclusive fiadora de contratos. Os repasses foram feitos para garantir a continuidade operacional”, explicou.
Ele afirmou que a medida buscou evitar prejuízos no dia a dia da operação, como a compra de combustível e peças.
Gestão defende custos operacionais do Consórcio Via SL
Questionado sobre transferências com descrições relacionadas a despesas pessoais, Rocha disse que os valores fazem parte dos custos operacionais da gestão.
Segundo ele, o gestor Pedro Paulo, que não reside em São Luís, tem despesas custeadas pela empresa, como moradia e deslocamento.
“São custos operacionais. Antes, ele se hospedava em hotéis. Não vejo irregularidade”, afirmou.
Consórcio Via SL critica glosas e cobra dívida da prefeitura
O representante também criticou as chamadas glosas — descontos aplicados nos repasses ao sistema de transporte — e afirmou que a prefeitura teria feito retenções unilaterais.
Segundo ele, há decisões judiciais que determinam a devolução desses valores.
Rocha ainda afirmou que a prefeitura possui débitos com o Consórcio Via SL, o que agrava a crise financeira.
“Só em relação à empresa 1001, a dívida passa de R$ 800 mil. Esse valor resolveria a folha de pagamento e permitiria ampliar a frota”, disse.
Consórcio Via SL diz que empresa pode continuar operando
Apesar do cenário considerado crítico, o consórcio afirma que ainda há condições de continuidade das atividades, desde que os repasses sejam regularizados.
Rocha classificou a situação da empresa como “em frangalhos”, mas destacou o esforço dos trabalhadores para evitar o colapso do sistema.
“A empresa só não parou porque os trabalhadores estão lutando para mantê-la funcionando”, afirmou.
Impasse sobre Consórcio Via SL deve ter novos desdobramentos
Ao comentar a recomendação do Ministério Público, Rocha disse que é necessário avaliar a origem da crise antes de decisões mais drásticas, como o rompimento do contrato.
Ele reconheceu falhas na gestão, mas defendeu que a responsabilidade deve ser compartilhada.
“A empresa teve problemas, mas a prefeitura também não cumpriu sua parte, que é o repasse. Uma coisa levou à outra”, concluiu.
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