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COLUNA
Rodrigo Bomfim
Rodrigo Bomfim é jornalista do Grupo Mirante. Editor de política do Imirante, também atua na Mirante News FM e TV Mirante.
transporte público

Consórcio Via SL reage à recomendação de rompimento e atribui crise à falta de repasses da Prefeitura

Consórcio Via SL afirma que crise no transporte de São Luís foi agravada por corte de repasses da prefeitura

Rodrigo Bomfim/Ipolítica

Atualizada em 19/03/2026 às 17h31
Consórcio Via SL reage à recomendação do MP e atribui crise no transporte de São Luís à falta de repasses da prefeitura.
Consórcio Via SL reage à recomendação do MP e atribui crise no transporte de São Luís à falta de repasses da prefeitura. (Foto: Juvêncio Martins/TV Mirante)

O Consórcio Via SL reagiu à recomendação do Ministério Público do Maranhão (MPMA) para que a Prefeitura de São Luís rompa o contrato de concessão do transporte público. Em entrevista, o representante da empresa, Diego Rocha, afirmou que a crise enfrentada pelo sistema não é isolada e foi agravada, principalmente, pela suspensão de repasses financeiros do poder público.

Segundo Rocha, a recomendação foi recebida com “estranheza”, já que, de acordo com ele, o consórcio tenta solucionar os problemas operacionais há meses junto aos órgãos responsáveis.

O cenário atual não é um fato isolado. É resultado de uma série de fatores que vêm sendo discutidos há mais de seis meses com a Prefeitura e a SMTT”, afirmou.

Consórcio Via SL aponta corte de subsídio como fator central

De acordo com o representante, o principal agravante da crise do Consórcio Via SL ocorreu em novembro de 2025, quando a prefeitura teria zerado o subsídio destinado à empresa — recurso considerado essencial para o pagamento de salários e manutenção da operação.

Rocha afirma que a medida impactou diretamente o funcionamento do sistema:

  • O subsídio seria usado para custear salários;
  • O consórcio afirma ter sido o único com repasse zerado;
  • A decisão teria comprometido a operação e o atendimento aos usuários.

Sem o apoio do poder concedente, fica difícil manter salário, operação e atendimento à população”, disse.

Trabalhadores seguem em atividade no Consórcio Via SL

Apesar das dificuldades, o Consórcio Via SL afirma que os trabalhadores seguem em atividade. Segundo Rocha, a prioridade atual da gestão é regularizar a situação dos funcionários e evitar paralisações.

Ele destacou que há um esforço interno para manter o funcionamento do serviço, mesmo diante das limitações financeiras.

Hoje, nossa tarefa é garantir os direitos dos trabalhadores e manter a operação ativa, com o apoio da equipe que ainda acredita no projeto”, declarou.

Consórcio Via SL comenta denúncias sobre transferências

Sobre denúncias divulgadas nacionalmente de que a empresa teria feito transferências financeiras para evitar bloqueios judiciais, o Consórcio Via SL confirmou os repasses, mas negou irregularidades.

Segundo Rocha, os valores foram transferidos para a empresa Gold Coltan, que, de acordo com ele, integra o mesmo grupo econômico.

Não se trata de empresa externa. É uma empresa do grupo, inclusive fiadora de contratos. Os repasses foram feitos para garantir a continuidade operacional”, explicou.

Ele afirmou que a medida buscou evitar prejuízos no dia a dia da operação, como a compra de combustível e peças.

Gestão defende custos operacionais do Consórcio Via SL

Questionado sobre transferências com descrições relacionadas a despesas pessoais, Rocha disse que os valores fazem parte dos custos operacionais da gestão.

Segundo ele, o gestor Pedro Paulo, que não reside em São Luís, tem despesas custeadas pela empresa, como moradia e deslocamento.

São custos operacionais. Antes, ele se hospedava em hotéis. Não vejo irregularidade”, afirmou.

Consórcio Via SL critica glosas e cobra dívida da prefeitura

O representante também criticou as chamadas glosas — descontos aplicados nos repasses ao sistema de transporte — e afirmou que a prefeitura teria feito retenções unilaterais.

Segundo ele, há decisões judiciais que determinam a devolução desses valores.

Rocha ainda afirmou que a prefeitura possui débitos com o Consórcio Via SL, o que agrava a crise financeira.

Só em relação à empresa 1001, a dívida passa de R$ 800 mil. Esse valor resolveria a folha de pagamento e permitiria ampliar a frota”, disse.

Consórcio Via SL diz que empresa pode continuar operando

Apesar do cenário considerado crítico, o consórcio afirma que ainda há condições de continuidade das atividades, desde que os repasses sejam regularizados.

Rocha classificou a situação da empresa como “em frangalhos”, mas destacou o esforço dos trabalhadores para evitar o colapso do sistema.

A empresa só não parou porque os trabalhadores estão lutando para mantê-la funcionando”, afirmou.

Impasse sobre Consórcio Via SL deve ter novos desdobramentos

Ao comentar a recomendação do Ministério Público, Rocha disse que é necessário avaliar a origem da crise antes de decisões mais drásticas, como o rompimento do contrato.

Ele reconheceu falhas na gestão, mas defendeu que a responsabilidade deve ser compartilhada.

A empresa teve problemas, mas a prefeitura também não cumpriu sua parte, que é o repasse. Uma coisa levou à outra”, concluiu.


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