Conflito agrário

Justiça do MA condena fazendeiro por ameaçar líder quilombola em Santa Inês

O caso ocorreu em 29 de outubro de 2023, na comunidade Quilombola Onça, na zona rural do município de Santa Inês.

Imirante.com

Condenação por ameaça marca conflito agrário em Santa Inês.
Condenação por ameaça marca conflito agrário em Santa Inês. (Foto: reprodução / TV Mirante)

SANTA INÊS - A Justiça do Maranhão condenou um empresário por ameaçar de morte uma liderança quilombola durante um conflito agrário em Santa Inês. O caso ocorreu em 29 de outubro de 2023, na comunidade Quilombola Onça, na zona rural do município, durante um incêndio em área de plantação.

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O empresário Franciano Oliveira Sousa foi condenado a dois meses e oito dias de detenção, em regime aberto. A pena foi substituída pelo pagamento de dez salários mínimos à vítima. Ele poderá recorrer da decisão em liberdade.

Conflito agrário termina em condenação

Segundo a denúncia do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), quilombolas tentavam conter um incêndio em uma plantação de mandioca quando o empresário chegou ao local acompanhado de cerca de dez homens.

De acordo com o processo, ele teria levantado a camisa para mostrar uma arma de fogo e feito ameaças contra a liderança quilombola, com frases como: “Eu não sei onde eu tô que eu não mato vocês tudinho agora” e “Vocês vão ver o que eu vou fazer com vocês”.

Em depoimento, o empresário negou as acusações. Ele afirmou que apenas questionou os prejuízos causados pelo incêndio em sua propriedade e negou ter feito ameaças.

Justiça pune ameaça em comunidade quilombola

Na sentença, a Justiça entendeu que o empresário adotou comportamento intimidatório ao comparecer ao local acompanhado de outras pessoas, em meio a um conflito por terras. A decisão também destacou que a situação aumentou o medo entre moradores da comunidade.

Os depoimentos da vítima e de uma testemunha foram considerados firmes e coerentes. Ambos relataram que o empresário ameaçou sacar uma arma. Segundo a decisão, funcionários do próprio empresário precisaram contê-lo para evitar agravamento da situação.

Durante o processo, o réu negou estar armado no dia, mas admitiu possuir um rifle calibre .22 em sua fazenda. Para o juiz, essa contradição enfraqueceu a versão apresentada pela defesa.

Com base nas provas, o empresário foi condenado pelo crime de ameaça, previsto no artigo 147 do Código Penal. A pena de prisão foi substituída por prestação pecuniária, conforme a legislação.

Devido à gravidade do caso, lideranças quilombolas da região foram incluídas no Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PEPDDH/MA).

Empresário é condenado por ameaça no MA

A defesa do empresário informou que vai recorrer da decisão. Em nota, os advogados afirmaram que a sentença não é definitiva, alegaram ausência de provas materiais e disseram que a condenação se baseia em “narrativas parciais”.

Já o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Rafael Silva, avaliou que a decisão representa um marco no combate à impunidade em conflitos no campo. Ele destacou que o Maranhão lidera, nos últimos 20 anos, o número de assassinatos de quilombolas em disputas fundiárias.

Segundo a CPT, a região da comunidade Quilombola Onça enfrenta conflitos recorrentes por terra, com registros de agressões físicas e ameaças. O caso é acompanhado por órgãos de direitos humanos e entidades, como a Secretaria Estadual de Direitos Humanos e o Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom).

O advogado também ressaltou que a condenação é resultado da atuação de instituições públicas, como Polícia Civil, Ministério Público, Judiciário e Polícia Militar, no acompanhamento do caso.

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